Vitamina D, sol e inverno: o que a geriatra precisa que você saiba
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7/8/20262 min read
Toda vez que o inverno chega, uma das primeiras orientações que reforço com meus pacientes é sobre vitamina D. Não por modismo — mas porque a deficiência dessa vitamina é uma das mais comuns no mundo, inclusive em países com bastante sol como o Brasil, e seus efeitos na terceira idade vão muito além do que a maioria imagina.
Por que o idoso é mais vulnerável
A vitamina D é produzida pela pele quando exposta à luz solar. Mas, com o envelhecimento, esse processo se torna menos eficiente — a pele simplesmente produz menos vitamina D para a mesma quantidade de exposição solar, em comparação com a pele de um adulto jovem.
Some a isso outros dois fatores. O primeiro é comportamental: muitos idosos passam mais tempo em ambientes fechados, seja por limitação de mobilidade, medo de quedas, ou simplesmente hábito. O segundo é fisiológico: a absorção intestinal de vitamina D também diminui com a idade.
Mais do que ossos: o impacto sistêmico da vitamina D
A associação mais conhecida da vitamina D é com a saúde óssea — ela é essencial para a absorção de cálcio, e sua deficiência está diretamente relacionada ao risco de osteoporose e fraturas. Esse já seria motivo suficiente de atenção, considerando que fraturas de quadril são um dos eventos mais graves na trajetória de saúde de um idoso.
Mas o papel da vitamina D vai além disso. Ela participa da contração muscular adequada — sua deficiência está associada a fraqueza muscular, o que aumenta o risco de quedas. Tem papel na modulação da resposta imune, especialmente relevante no inverno. E há um corpo crescente de evidências associando a deficiência de vitamina D a sintomas depressivos e a um maior risco de declínio cognitivo.
O que fazer na prática
A primeira medida é a exposição solar adequada — algo entre dez e quinze minutos diários, idealmente no início da manhã ou final da tarde, com braços e pernas expostos. No entanto, para muitos idosos, a exposição ao sol não é suficiente para manter níveis adequados, e a suplementação, orientada por avaliação médica e exame de sangue, é a estratégia mais segura e eficaz.
A suplementação de vitamina D não deve ser feita de forma indiscriminada — doses excessivas também trazem riscos. O ideal é que a decisão seja feita em conjunto com o médico, considerando o histórico individual e exames laboratoriais.
Por que isso importa especialmente agora
Estamos em pleno inverno, período em que a exposição solar naturalmente diminui. É exatamente o momento em que a atenção à vitamina D se torna mais relevante, e em que pequenos ajustes — como garantir alguns minutos de sol diários, mesmo no frio — podem ter impacto real na saúde óssea, muscular, imunológica e até emocional na terceira idade.
Dra. Ângela Costa | CRM RN 5339 | RQE 5267
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